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Por Maurício Ferreira Guimarães
Tendo sido sentido, no Brasil, seus primeiros efeitos em meados de outubro de 2008, a crise financeira mundial resultou na inevitável queda do crescimento industrial e no recuo da economia globalizada. Mas de que forma esses impactos negativos poderiam trazer fôlego para o meio ambiente? Será que realmente estamos trilhando o caminho da sustentabilidade?
Desde o início dos primeiros sintomas de um desequilíbrio financeiro nas contas mundiais, o que se observou mais nitidamente, foi a redução da produção industrial envolvendo a exploração de commodities como os bens minerais (Industrias de Bens de Produção ou de Base) que geram, por conseguinte, os insumos para as indústrias de petroquímica e siderurgia. De maneira análoga, pode-se, portanto, dizer que todo o extrativismo mundial foi afetado para baixo, o que envolve, também, o desflorestamento ou desmatamento.
Segundo informações apresentadas no início deste ano pelo IBGE e divulgadas pelos principais jornais do País, a produção industrial brasileira diminuiu 5,2% em novembro de 2008 frente a outubro, com o que sofreu sua maior queda em 13 anos. Segundo analistas da entidade, a forte redução da atividade nas fábricas brasileiras no penúltimo mês do ano passado foi um reflexo da queda da demanda mundial como conseqüência da crise financeira internacional. Com uma profunda redução da demanda internacional e das cotações internacionais de matérias-primas, várias siderúrgicas, mineradoras e montadoras brasileiras de automóveis começaram a reduzir sua produção em outubro de 2008, quando foram sentidos no país os primeiros efeitos do agravamento da crise. Segundo o IBGE, 21 dos 27 setores industriais analisados registraram um retrocesso da produção em novembro com relação a outubro. Esta queda foi liderada pela indústria de veículos automotores, cuja produção diminuiu 22,6%, seguida pela de máquinas e equipamentos (11,9%), edição e impressão (14,8%), indústrias extrativas (10,9%) e metalurgia básica (10,2%).
Visto o exposto e apesar dos números acima dizerem respeito apenas ao Brasil, sem dados concretos, sejam qualitativos ou quantitativos, é certo que o meio ambiente, no mundo inteiro, esteja se beneficiando desta situação. Com a desaceleração da produção industrial, estima-se que os impactos ao meio ambiente decorrentes de lançamentos de efluentes industriais em corpos hídricos, emissões atmosféricas, extrativismos vegetal e mineral, geração de resíduos, dentre outros, sejam minimizados enquanto dure a crise financeira mundial e, conseqüentemente, a diminuição do consumo da população.
Destaca-se, apesar de uma tanto poético o assunto abordado, que o momento atual não deve ser comemorado; Afinal de contas, a mesma crise tem atropelando o sistema financeiro globalizado, mas que tem trazidos aparentes bons frutos à natureza, também resulta na demissão de milhares de pessoas, tirado o alimento das mesas de inúmeras famílias, bem como o sono de muitas outras. O intuito deste texto, portanto, é o de provocar uma reflexão sobre os processos e modelos de produção industrial, assim como sobre o nosso modo de vida. Até que nível de redução da produção industrial seria compatível e suportável para que tivéssemos uma vida saudável, sem muitos luxos? Será que o mundo produz somente aquilo que se consome, sem sobras? É certo que se avaliássemos nosso estilo de vida, chegaríamos à conclusão de que não precisamos de “tudo isso” e, desta forma, nossas necessidades básicas e a uma constante preocupação com o meio ambiente demandariam modelos industriais mais racionais e sustentáveis, os quais apontariam para alternativas na busca de maior diversidade econômica. Por fim, espera-se que uma conscientização coletiva, leve a sociedade a se ocupar com questões mais profundas que se baseiem na preservação própria espécie, assegurando, desta forma, um planeta que todos queiram para as gerações futuras.


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