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Por Maurício Ferreira Guimarães
Nunca se esteve tão próximo das questões ambientais, mas, ao mesmo tempo, tão longe, do meio ambiente. Enquanto se discute meios para se evitar o fim da humanidade em decorrência das Mudanças Climáticas, “ocasionalmente” decorrentes do Aquecimento Global, observa-se que as pessoas têm tido cada vez menos oportunidades e noção de como é estar perto e conviver com a natureza.
Nem todos os imprevistos e desastres ambientais são meras ocasionalidades. Segundo resultados de pesquisas recentes, as quais me foram relatadas, mas que infelizmente não tive acesso a estas, o volume de chuvas anuais em grandes centros urbanos, têm se mantido constante. Desta forma, não é correto, portanto afirmar, que a cada ano que se passa um maior volume de águas das chuvas tem castigado os moradores destas localidades. Na verdade, pode até ser que elas não tenham apresentado a mesma distribuição em iguais períodos, ou seja, que em alguns meses haja um volume superior ao mesmo período dos anos passados, mas, em média, os volumes anuais têm sido o mesmo. Então o que está ocorrendo? O uso e ocupação desordenada do espaço urbano, substituindo áreas verdes por edificações e outras obras de engenharia que resultam na impermeabilização do solo, têm ocasionado efeitos negativos mais perceptíveis após períodos chuvosos aparentemente insignificantes, ou seja, chuvas que antes não ocasionavam estrago algum, passam a trazer transtornos para a sociedade. Isso ocorre, em suma, devido à ausência de “zonas de amortecimento” que evitariam que as águas das chuvas percorressem (por escoamento superficial) grandes distâncias sem infiltrar, até formar os tão famosos alagamentos noticiados ou deslizamento de encostas. Sem delongar muito este assunto, torna-se, também oportuno ilustrar, o que vem ocorrendo em algumas localidades do nosso litoral. Devido ao avanço das edificações em direção ao mar, algumas destas têm sido impiedosamente castigas pelo mar, sem que para isso, fosse necessário o aumento do nível dos oceanos. O mar, simplesmente, decorrente de um comportamento natural, tende a retomar seu espaço com alguma periodicidade.
Os relatos no parágrafo anterior demonstram a falta de tato com os fenômenos da natureza que se tornam simplesmente “desastres”, ao invés de serem encarados como algo natural, por desconhecimento das leis da natureza. Somos nós que estamos avançando cada vez mais contra ela e não o contrário. Parte destas observações são ciclos que ocorrem a bilhões de anos na Terra e que, portanto, em resposta ou não às ações do homem, tendem a ocorrer sem que este possa fazer algo contra. O interessante é constatar que o crescimento desordenado tem feito com que a mesma fique cada vez mais afastada da natureza, causando-a espanto, por exemplo, quando se tem a oportunidade de deparar-se com um tucano cruzando uma rodovia ou mesmo medo, quando um inseto “estranho” se aproxima. A natureza que as pessoas tendem a conhecer é aquela transmitida pelos canais de televisão. Documentários como os apresentados na Discovery Channel ou National Geographic levam para estas casas imagens de animais exóticos e de lugares paradisíacos que permeiam pela imaginação das pessoas, fazendo-as pensar que se tornará cada vez mais difícil presenciar ao vivo algo tão belo.
Faz parte da rotina, da maioria, ficar mais tempo na cidade que no campo. Não há mais tempo para isso, é o que alguns podem dizer alegando a insuperável carga de trabalho que preenche as raras lacunas de tempo livre, muitas vezes tempo já reservado a um passeio no parque, uma visita a uma cachoeira ou a família.

Por Maurício Ferreira Guimarães
Nos últimos anos, o termo “Sentimento de Dono” tem sido bastante difundido nas grandes corporações na tentativa de fazer com que seus colaboradores tornem-se parceiros e cúmplices de sua missão, política e valores. Na opinião de grandes executivos, o “Sentimento de Dono” é uma característica diferenciada que faz com que as pessoas tenham foco na obtenção de bons resultados decorrentes de sua dedicação e amor pelo trabalho. Em todo processo de mudança ou crescimento organizacional, o “Sentimento de Dono” é fator crítico de sucesso que demanda, contudo, a assimilação de alguns pré-requisitos, como: conquista da confiança, gestão e integração da equipe; reconhecimento dos grandes feitos e correção das falhas. Mas de que forma este “poderoso” conceito poderia ser aplicado à preservação do meio ambiente se nos considerarmos seus colaboradores? Será que estamos realmente desempenhando nosso melhor trabalho, contribuindo com responsabilidade para um meio ambiente sustentado e capaz de nos dar abrigo, alimento e proteção?
Sem dúvida, é possível notar que as causas das agressões ao meio ambiente são de ordem política, cultural e econômica. De certa forma, as pessoas ainda não priorizam, como deveriam, a defesa do meio ambiente, leva a crer que a sociedade moderna somente começará a perceber a necessidade do combate eficiente a poluição, quando os efeitos dela lhes caírem sobre a cabeça. Se, então, considerarmos o Meio Ambiente como o conjunto de forças e condições que cercam e influenciam os seres vivos e as “coisas” em geral, perceberemos que nos falta “foco nos resultados”, à medida que continuamos lançando lixos nas ruas e córregos, bem como queimando nossas florestas, sem nos preocuparmos com as conseqüências destes atos, demonstrando falta de amor e carinho pelo habitat responsável pelo nosso sustento. Num horizonte de médio a longo prazo, para que possamos acreditar e ter esperança num cenário positivo para a natureza do planeta, precisamos confiar, tanto na capacidade individual, como na coletiva da humanidade, de reverter o quadro de acelerada degradação do meio ambiente através do reconhecimento e aprendizado de suas falhas cometidas. Este comportamento, portanto, será o reflexo do “Sentimento de Dono”; Algo que deveria ser instintivo e não a resposta para nossa sobrevivência que surge apenas em decorrência da falta de percepção do inevitável, ou seja, do fato de que caso não mudemos nosso comportamento auto-destruidor, estaremos nos despedindo do Planeta como o conhecemos e, conseqüentemente, da nossa própria espécie, a Homo sapiens.
Uma das maneiras de demonstrarmos nosso “Sentimento de Dono” para com o Meio Ambiente é através da indignação; Mas não uma indignação silenciosa, pois como diria Molière: “Um tolo que não diz nada não se diferencia de um sábio que se cala”. Quando constatadas agressões ao meio ambiente, se incomode, faça algo, denuncie … afinal, trata-se da nossa casa. Segundo alguns órgãos ambientais, são consideradas instruções para uma denúncia: 1) Apresentar dados claros e precisos acerca do tipo de ocorrência; 2) Informar telefone para contato e endereço para correspondência; e 3) É indispensável que constar o endereço e/ou algum ponto de referência da ocorrência e, se possível, indicar o nome do responsável. Os mesmos órgãos antecipam que as informações passadas são sigilosas e que, em hipótese alguma, o nome do denunciante é divulgado. E lembre-se, são considerados crimes ambientais toda e qualquer ação que causar poluição de qualquer natureza que resulte ou possa resultar em danos à saúde ou que provoque a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora
IBAMA – Sugestões, reclamações, pedidos de informações e denúncias sobre agressões ao meio ambiente podem ser feitas através da Linha Verde 0800-61-8080, a ligação é gratuita de qualquer ponto do país. Se preferir, envie um e-mail para: linhaverde.sede@ibama.gov.br, fax: (61) 3321-7713 ou preencha o formulário disponível no site do IBAMA.
Por Maurício Ferreira Guimarães
Tendo sido sentido, no Brasil, seus primeiros efeitos em meados de outubro de 2008, a crise financeira mundial resultou na inevitável queda do crescimento industrial e no recuo da economia globalizada. Mas de que forma esses impactos negativos poderiam trazer fôlego para o meio ambiente? Será que realmente estamos trilhando o caminho da sustentabilidade?
Desde o início dos primeiros sintomas de um desequilíbrio financeiro nas contas mundiais, o que se observou mais nitidamente, foi a redução da produção industrial envolvendo a exploração de commodities como os bens minerais (Industrias de Bens de Produção ou de Base) que geram, por conseguinte, os insumos para as indústrias de petroquímica e siderurgia. De maneira análoga, pode-se, portanto, dizer que todo o extrativismo mundial foi afetado para baixo, o que envolve, também, o desflorestamento ou desmatamento.
Segundo informações apresentadas no início deste ano pelo IBGE e divulgadas pelos principais jornais do País, a produção industrial brasileira diminuiu 5,2% em novembro de 2008 frente a outubro, com o que sofreu sua maior queda em 13 anos. Segundo analistas da entidade, a forte redução da atividade nas fábricas brasileiras no penúltimo mês do ano passado foi um reflexo da queda da demanda mundial como conseqüência da crise financeira internacional. Com uma profunda redução da demanda internacional e das cotações internacionais de matérias-primas, várias siderúrgicas, mineradoras e montadoras brasileiras de automóveis começaram a reduzir sua produção em outubro de 2008, quando foram sentidos no país os primeiros efeitos do agravamento da crise. Segundo o IBGE, 21 dos 27 setores industriais analisados registraram um retrocesso da produção em novembro com relação a outubro. Esta queda foi liderada pela indústria de veículos automotores, cuja produção diminuiu 22,6%, seguida pela de máquinas e equipamentos (11,9%), edição e impressão (14,8%), indústrias extrativas (10,9%) e metalurgia básica (10,2%).
Visto o exposto e apesar dos números acima dizerem respeito apenas ao Brasil, sem dados concretos, sejam qualitativos ou quantitativos, é certo que o meio ambiente, no mundo inteiro, esteja se beneficiando desta situação. Com a desaceleração da produção industrial, estima-se que os impactos ao meio ambiente decorrentes de lançamentos de efluentes industriais em corpos hídricos, emissões atmosféricas, extrativismos vegetal e mineral, geração de resíduos, dentre outros, sejam minimizados enquanto dure a crise financeira mundial e, conseqüentemente, a diminuição do consumo da população.
Destaca-se, apesar de uma tanto poético o assunto abordado, que o momento atual não deve ser comemorado; Afinal de contas, a mesma crise tem atropelando o sistema financeiro globalizado, mas que tem trazidos aparentes bons frutos à natureza, também resulta na demissão de milhares de pessoas, tirado o alimento das mesas de inúmeras famílias, bem como o sono de muitas outras. O intuito deste texto, portanto, é o de provocar uma reflexão sobre os processos e modelos de produção industrial, assim como sobre o nosso modo de vida. Até que nível de redução da produção industrial seria compatível e suportável para que tivéssemos uma vida saudável, sem muitos luxos? Será que o mundo produz somente aquilo que se consome, sem sobras? É certo que se avaliássemos nosso estilo de vida, chegaríamos à conclusão de que não precisamos de “tudo isso” e, desta forma, nossas necessidades básicas e a uma constante preocupação com o meio ambiente demandariam modelos industriais mais racionais e sustentáveis, os quais apontariam para alternativas na busca de maior diversidade econômica. Por fim, espera-se que uma conscientização coletiva, leve a sociedade a se ocupar com questões mais profundas que se baseiem na preservação própria espécie, assegurando, desta forma, um planeta que todos queiram para as gerações futuras.

Por Maurício Ferreira Guimarães
A humanidade luta contra o relógio, apenas pela preservação do meio ambiente ou pela sua própria salvação? Como geólogo, trabalhado por 4 anos na prospecção mineral e 6 como consultor e analista de meio ambiente, percebo certo paradigma quando, em discussões sobre o meio ambiente, especialmente a respeito da conservação do patrimônio ecológico, algumas pessoas parecem se excluir, não importando-se, não com o seu futuro, mas com o de toda uma sua espécie.
Datada de cerca de 4,5 bilhões de anos, nosso planeta nem sempre foi do jeito como o conhecemos. Durante este período, transformações ocorreram por toda sua superfície. Montanhas se ergueram e foram destruídas. Mares abertos e fechados. Geleiras avançando e se retraindo. Os mesmos mecanismos que possibilitaram o surgimento da vida na Terra, também ocasionaram drásticas mudanças nos ecossistemas. Grande erupções vulcânicas, quedas e aumentos da temperatura, terremotos, inundações dentre outros verdadeiros cataclismos que ocorreram em escalas globais, alteraram clima e a composição da atmosfera, num vai e vem que exigiu com que as espécies evoluíssem, adaptando-se às novas condições de vida. Nem todas obtiveram sucesso nesta empreitada.
Hoje, o Homo sapiens, como fomos classificados, tem dado importante contribuição na evolução do planeta. Lançando poluentes que degradam, a uma velocidade assustadora, rios e a qualidade do ar, a Terra tem experimentado um modelo irracional de uso e ocupação territorial, utilização desordenada e desperdício dos recursos naturais, além de um crescimento populacional vertiginoso. Tudo isso em oposição ao conceito de Desenvolvimento Sustentável, o qual prega oferecer às gerações futuras, as mesmas oportunidades que temos hoje, mesmo acreditando que seria mais proveitoso se pudéssemos oferecê-las a Terra já de alguns anos atrás.
Espera-se que neste ritmo, daqui a algum tempo o ar se tornará irrespirável, a água, não mais naturalmente potável e a terra, incultivável. Não se trata apenas em trabalhar o futuro de florestas, rios e animais. É preciso que a humanidade compreenda que agindo de maneira irresponsável, poderá estar incluída na lista de espécies ameaçadas de extinção. Pode ser, entretanto, caso tenhamos sorte e sustentado pela Teoria da Evolução, que daqui a centenas ou milhares de anos, tenhamos uma nova aparência, evoluindo para uma nova raça humana. Desta forma, mesmo considerando a eventual possibilidade de sobrevida dada através de alguma tecnologia, o fim do Homo sapiens será inevitável. Por outro lado, o fato é que existe, como sempre existiu, uma chance para o planeta. Este não sucumbirá às elevadas concentrações de CO2 na atmosfera e muito menos à devastação das florestas e poluição de rios e mares. De alguma forma ele se ajustará às perturbações causadas pela “sociedade moderna”, mas depois que esta mesma sociedade se autodestruir, ele se recuperará afinal. A Terra já passou por situações muito piores e se restabeleceu. Sorte dela!
“Não há diferenças fundamentais entre o homem e os animais nas suas faculdades mentais…os animais, como os homens, demonstram sentir prazer, dor, felicidade e sofrimento”. (Charles Darwin)


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