Quase uma obrigação, depois de uma semana pesada de muito trabalho, domingo é o dia reservado para eventos em família. Como não seria diferente com a minha, hoje fomos ao Zoológico de BH com o intuito de mostra ao Jorge, nosso filho, todos aqueles animais que tanto chamam sua atenção em documentários de TV ou aqueles que ilustram seus livros preferidos. Domingo de sol, muitas famílias o aproveitaram imensos espaços verdes, cheios de árvores e extensas áreas gramadas, para se reunirem e, também, fazerem um “lanchinho”. Pois bem, é a respeito deste tipo de comportamento que irei tratar.
Como já é sabido das pessoas que lêem com alguma frequência o Blog AUSTRALOPITECOS, o mesmo tem como proposta apresentar idéias e pensamentos a respeito de como a civilização tem contribuído com o Meio Ambiente. Desta forma, não este post não será uma exceção, ainda mais porque estaremos tratando de assuntos já expostos neste espaço, uma vez que serão abordados temas como preservação do meio ambiente e educação ambiental.
Durante as poucas horas (cerca de 2) que eu, minha esposa e meu filho estivemos no Jardim Zoológico de BH, onde inclusive também tem o Jardim Botânico, além do aparente descuido observado nas suas instalações, bem como com o local onde se encontravam os animais, foi impressionante constatar o grande número de tendas que comercializavam lanches e produtos industrializados, além das lanchonetes oficiais. Por sua vez, esse intenso mercado aliado aos alimentos trazidos pelas famílias, poderiam se não fosse o contrário, representar um grande potencial para a degradação daquele ambiente, assim como representar um risco aos animais que estariam expostos a “boa vontade” das pessoas que deveriam achar que os mesmos passavam fome e que, portanto, mereciam um pouco de batata fria, refrigerante, pipoca ou qualquer outra coisa que lhes matariam a fome. Pois foi exatamente isso que se verificou. Talvez alguns ali pudessem ser tranquilamente comparados com algum dos primatas enjaulados.


Um grande descaso a natureza, com a própria espécie que tanto tempo demorou para chegar onde se encontra atualmente, bem como as demais, vítimas de sua irracionalidade e seu cárcere. Lixo para todo o lado. Papel de balinha, guardanapo, garrafas pet, saquinho de salgadinhos … Tudo isso dentro e fora das jaulas. A educação, seja ela ambiental ou não, é algo realmente ignorado pelas pessoas que cometiam tal crime…e olha que, certamente, eles sabiam o que estavam fazendo.
Sem querer muito entrar no mérito da responsabilidade das pessoas que mantêm o ZOO, o que inclui a sua manutenção e limpeza, primeiro gostaria de dar os parabéns ao grande número de lixeiras que lá se encontram, fazendo alusão, inclusive, ao princípio de uma coleta seletiva, ação que provavelmente demandaria uma maior proximidade com as intenções e percepções de quem frequenta o local; Depois, vale lembrar que o próprio desleixo que se observou com o local, o que não justifica o que vou agora dizer, faz com que seus frequentadores se achem no direito de contribuir com sua parcela de ignorância espalhando seu lixo. Apesar de destacar a grande área reservada ao local, bem como os grandes recintos dedicados aos animais, quando comparados com ZOOs, p. ex., de São Paulo e Rio de Janeiro, o fato é que atualmente o Jardim Zoológico e Jardim Botânico de Belo Horizonte, baseado ou não nesse desrespeito e descaso, não é um lugar que eu recomendaria a ser visitado. Espero, sinceramente que este local venha a ser tratado com mais respeito, tanto por seus gestores, como pelos seus visitantes, para que meu filho possa, em suas futuras visitas, ter mais prazer. Hoje fizeram mais sucesso os inúmeros micos e aranhas tecedeiras que proliferam sem controle por toda extensão do ZOO.



1 comentário
Feed de comentários deste artigo
maio 22, 2009 às 2:19 am
Aline
Gostaria de deixar aqui a minha contribuição.
Concordo e ressalto que a maioria dos visitantes, como a maioria da população, não são educados ambientalmente. Isso ocorre por vários fatores que não vem ao caso serem discutidos. Porém, na Fundação Zoobotânica existe um trabalho de educação ambiental, onde funcionários de maneira informal repassam o conhecimento e tenta ao menos sensibilizar o visitante quanto a poluição do local com lixo e até mesmo desrespeito aos animais como gritar ou lançar objetos para que o animal se mexa. Este trabalho tem sido, na maioria das vezes, aceito e esta sendo observado uma mudança significativa quanto ao comportamento destes visitantes.
Quanto a gestão deste local na questão do lixo: Como você mesmo observou tem várias lixeiras. Para muitos insignificantes, daí a importância da atuação dos funcionários. A limpeza de todo o local é realizada todos os dias, não podendo considerar o lixo visto como incentivo à degradação do local. Todo o lixo no chão que você vê quando faz a visita, é lixo daquele dia! Imagina a dificuldade de passar essa educação a tantas pessoas. As lixeiras de coleta seletiva fizeram parte de um projeto da SLU, em uma campanha educativa com interação dos visitantes, mas que hoje não acontece mas que tem planos para dar continuidade.
Não acho que é um local para deixar de ser visitado. Não por estes motivos. Acho sim que seria importante para os animais em cativeiro receber um numero menor de visitantes, mas isso foge ao tema aqui comentado.
Os animais citados, mico estrela e aranha, são animais que ocorrem em ambientes preservados e são de vida livre, não se pode controlar. O visitante que vai ao Zoológico tem que estar consciente de que ali é uma área verde e vai encontrar mais vegetação e mais animais em seu caminho do que normalmente se vê. O importante é o visitante saber que são de vida livre e possuem na natureza seu próprio alimento não necessitando de ser alimentados o que provoca a aproximação destes animais como por exemplo o mico-estrela. Isso também é repassado todos os dias a vários visitantes que são encontrados alimentando ou correndo atrás destes primatinhas.
Enfim,
A Fundação pode e deve implantar mais trabalhos de educação ambiental e espera-se que isso seja feito. Porém o visitante deve respeitar os animais e o local como seu patrimônio, explorando de forma ambientalmente correta. Saber a origem do animal, sua alimentação, comportamento, tudo isso nos faz pensar melhor nos nossos atos e responsabilidades ambientais já que fazemos parte do ambiente e necessitamos dele como um todo para sobreviver.