(Por Maurício Ferreira Guimarães)
O texto abaixo foi baseado no artigo de José Augusto Pádua, “A Ocupação do Território Brasileiro e a Conservação dos Recursos Naturais”, o qual foi publicado no livro Unidades de Conservação: Atualidades e Tendências (Fundação O Boticário).
No Brasil, mesmo após séculos de desenvolvimento tecnológico, cultural e econômico, alcançando-se por fim, o almejado mundo globalizado, ainda hoje é notório a dificuldade de se alcançar resultados inerentes ao progresso em sintonia com o conceito de sustentabilidade e preservação do ambiente. Alguns filósofos, não no significado restrito de pessoas com formação específica, mas no que tange às pessoas que se preocupam em obter respostas a respeito deste fenômeno, atribuem esta persistência deste paradigma como fundamentado em uma base histórico-cultural.
Segundo autores, como o do texto referenciado, as razões pelas quais se dá a atual maneira de se trabalhar o ambiente frente às relações desenvolvimentistas são atribuídas ao modelo de colonização pelo qual se deu a ocupação do território brasileiro ao longo da sua história. De cunho estritamente exploratório, as nações que aqui se estabeleceram até a conquista da independência do País não tiveram outro objetivo se não o de se explorar as riquezas aqui “disponíveis” … uma janela de oportunidades, inesgotável para sua maioria.
Desde a descoberta do Brasil já se passaram mais de 5 séculos e aparentemente ainda é possível encontrar resquícios do modelo que por tanto tempo foi responsável por imensuráveis golpes contra o ambiente, incontestavelmente, aqueles relacionados às bens e riquezas mineral e vegetal. É fato que com o estabelecimento do modelo extrativista não seria de se esperar que os protagonistas por tais crimes não tivessem outra intenção se não a de enriquecer a qualquer custo, afinal de contas, estavam só de passagem.
Mas daí vêm algumas perguntas intrigantes: Por si só, o fato relatado é motivo para se acomodar alegando que seria então necessários mais 5 séculos para a solidificação de uma cultura ambientalmente correta? Somos, portanto, reféns de uma cultura dominante que geneticamente vem nos influenciando nas nossas tomadas de decisões? Depois de alcançada a nossa independência os termos a pouco utilizados: “só de passagem” e “a qualquer custo”, parecem não serem mais compatíveis, uma vez que o País e o Mundo colhem os frutos de macro projetos de exploração ecológica.
Conforme esclarece Pádua, no que se refere à relação com a natureza e o modo de relacionamento da sociedade com o seu entorno ecológico, as linhas gerais do modelo de ocupação e exploração do território podem ser definidas através de três características: 1) O mito do recurso natural inesgotável, baseado na idéia de fronteiras naturais sempre abertas para o avanço da exploração econômica; 2) Um grau considerável de desprezo pela biodiversidade e os biomas nativos e 3) Uma aposta permanente no regime de monocultura como fonte de enriquecimento econômico e instrumento eficaz de controle sobre o território.
Um exemplo claro e talvez, sendo este, um dos primeiros a se aprender no ensino básico, diz respeito aos recursos hídricos. Considerados como inesgotáveis e renováveis, sua degradação e contaminação foram negligenciadas por muito tempo, sempre se considerando que um dia, através de processos naturais cientificamente na época ainda não bem definidos resultariam na recuperação do impacto ocasionado pelas atividades antrópicas.
De fato a água não acaba, pois o seu volume no planeta é constante; Entretanto, o mesmo recurso pode ser considerado como passível de esgotamento se considerarmos uma determinada área geográfica. Esta afirmativa é correta, pois o Ciclo Hidrológico é o que atribui esta característica e dinâmica à água. De maneira bem simplista, inicialmente a água acumulada nos oceanos provenientes dos cursos de rios é evaporada para, depois de se condensar nas nuvens, voltarem a cair nos continentes através das chuvas. Apesar de se tratar de um ciclo, na concepção da palavra, este apresenta algumas peculiaridades baseadas em frágeis elos que quando quebrados, exaurem a água de uma determinada região, a levando para ocorrer outra localidade. Este é o caso, por exemplo, de grandes áreas devastadas. Parte da umidade que é encontrada em uma área advém da presença das árvores que a retém quando massas de ar úmidas transitam pelas áreas ocupadas. Essa úmida, bem como a chuva que também cai nessa região é responsável por alimentar os lençóis freáticos e os rios, bem como ocasionar novas chuvas. Quando esta cobertura é removida o ciclo hidrológico se adéqua, fazendo com que a água e umidade presentes naquela área estejam, agora, disponíveis em outro lugar, condenando a área outrora verde, à aridez e eventual desertificação.
Possíveis correlações entre as três características citadas acima, residem nos aspectos inerentes a: Educação Ambiental, tida como importante ferramenta que leva ao conhecimento do indivíduo os conceitos capazes de fomentar um melhor entendimento da estrutura e dinâmica do ambiente, bem como oferecer oportunidades de se alcançar meios racionais e sustentáveis na relação homem-natureza; e a Conscientização Ambiental, a qual trata das relações respeitosas e responsáveis do ser humano, no que tange a sua auto-preservação e a preocupação com as gerações futuras. Seria possível, portanto, elencar uma ou mais características, como aquela(s) que mais facilmente reflete(m) a cultura ambiental de uma empresa, a qual, por vezes, dita as regras sobre o modo como são conduzidas são atividades, cujos procedimentos que se perpetuam por anos, podem ou não causar impactos negativos ao ambiente, assim como passarem despercebidas ou serem apenas irrelevantes.
Cabe, contudo ressaltar que educação e conscientização ambiental devem sempre andar juntas, afinal de contas, como mencionado a pouco, de nada vale o conhecimento se não há a intenção de aplicá-lo de maneira inteligente, responsável e comprometida com o ambiente, ou seja, de maneira política e ambientalmente correta. Quando são observados crimes ambientais de grande repercussão, como derramamentos clandestinos de óleos, assim como aqueles de menor proporção, os responsáveis sabem exatamente as conseqüências de suas ações; Mesmo assim o fazem por falta de respeito a si próprios e à natureza. O que se pode concluir neste parágrafo, portanto, é que nem sempre uma boa educação ambiental e um trabalho efetivo de conscientização ambiental são suficientes para se obter bons resultados.
O modelo adotado por uma empresa para conduzir suas operações visa o lucro, caso contrário não teria o porquê de sua existência. Sua estrutura baseia-se, eventualmente, em pilares que têm como objetivos, seu crescimento; sua estabilidade; e reconhecimento no mercado, bem como da sociedade. A decisão pelo modelo de gestão a ser implantado, não pode, portanto, advir apenas de uma questão baseada na herança histórica responsável pela consolidação de paradigmas firmados por “poderosos” que por aqui passaram ou governantes que investiram seus esforços em tirar proveito da natureza em uma via de mão única. Atualmente, pode-se considerar que o desafio do desenvolvimento sustentável permeia por entre as engrenagens de um País e é tido como algo inevitável ditado e exigido não mais pelos comandantes das nações do planeta, mas sim pelos seus cidadãos que a cada momento tornam-se mais conscientes e responsáveis pelos impactos ambientais negativos decorrentes das atividades industriais e do uso e ocupação desordenados do solo. Trata-se de uma conscientização coletiva.
Até que ponto uma empresa, não por força legal, mas devido à sua conscientização ambiental, está disposta a investir mais recursos financeiros ou abrir mão de grandes projetos quando estes representassem risco de comprometimento de ecossistemas ambientais? É interessante verificar como se dá esta relação, já que dificilmente há uma preocupação em valorar a componente “natureza” como um ativo ou passivo numa estrutura empresarial. Seria este fato, algo inerente ao paradigma de exploração que corroeu, por anos e de maneira desrespeitosa, a relação do homem com o ambiente? Perceber como se pode ganhar com a preservação do ambiente ou o que se tem a perder com sua degradação, são premissas que vêm ocupando espaços, direta ou indiretamente nas políticas ambientais adotadas pelas empresas. Já faz muito tempo que a componente ambiente deixou de ser bandeira de ambientalista para se tornar uma commoditie capaz, portanto, de agregar valor financeiro a uma empresa que demonstra sua responsabilidade ambiental.






Durante as poucas horas (cerca de 2) que eu, minha esposa e meu filho estivemos no Jardim Zoológico de BH, onde inclusive também tem o Jardim Botânico, além do aparente descuido observado nas suas instalações, bem como com o local onde se encontravam os animais, foi impressionante constatar o grande número de tendas que comercializavam lanches e produtos industrializados, além das lanchonetes oficiais. Por sua vez, esse intenso mercado aliado aos alimentos trazidos pelas famílias, poderiam se não fosse o contrário, representar um grande potencial para a degradação daquele ambiente, assim como representar um risco aos animais que estariam expostos a “boa vontade” das pessoas que deveriam achar que os mesmos passavam fome e que, portanto, mereciam um pouco de batata fria, refrigerante, pipoca ou qualquer outra coisa que lhes matariam a fome. Pois foi exatamente isso que se verificou. Talvez alguns ali pudessem ser tranquilamente comparados com algum dos primatas enjaulados.

Um grande descaso a natureza, com a própria espécie que tanto tempo demorou para chegar onde se encontra atualmente, bem como as demais, vítimas de sua irracionalidade e seu cárcere. Lixo para todo o lado. Papel de balinha, guardanapo, garrafas pet, saquinho de salgadinhos … Tudo isso dentro e fora das jaulas. A educação, seja ela ambiental ou não, é algo realmente ignorado pelas pessoas que cometiam tal crime…e olha que, certamente, eles sabiam o que estavam fazendo.
Sem querer muito entrar no mérito da responsabilidade das pessoas que mantêm o ZOO, o que inclui a sua manutenção e limpeza, primeiro gostaria de dar os parabéns ao grande número de lixeiras que lá se encontram, fazendo alusão, inclusive, ao princípio de uma coleta seletiva, ação que provavelmente demandaria uma maior proximidade com as intenções e percepções de quem frequenta o local; Depois, vale lembrar que o próprio desleixo que se observou com o local, o que não justifica o que vou agora dizer, faz com que seus frequentadores se achem no direito de contribuir com sua parcela de ignorância espalhando seu lixo. Apesar de destacar a grande área reservada ao local, bem como os grandes recintos dedicados aos animais, quando comparados com ZOOs, p. ex., de São Paulo e Rio de Janeiro, o fato é que atualmente o Jardim Zoológico e Jardim Botânico de Belo Horizonte, baseado ou não nesse desrespeito e descaso, não é um lugar que eu recomendaria a ser visitado. Espero, sinceramente que este local venha a ser tratado com mais respeito, tanto por seus gestores, como pelos seus visitantes, para que meu filho possa, em suas futuras visitas, ter mais prazer. Hoje fizeram mais sucesso os inúmeros micos e aranhas tecedeiras que proliferam sem controle por toda extensão do ZOO.




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